“Samitério de Animais” – Crítica

“Samitério de Animais” – Crítica

4 Abril, 2019 0 Por maisterror

Crítica de Marcos Martins


Após 30 anos sobre o primeiro filme inspirado no livro do Stephen King do mesmo nome, chega esta semana o remake de “Pet Sematary”… Será que, é mais um ou chega para ser um dos poucos remakes no nosso género que realmente faz a diferença?

Para ser sincero “Samitério de Animais” basicamente toma a estrutura geral do livro / filme original contudo, tal como “Suspiria” no ano passado, toma a sua posição quando aborda o mesmo tema, mas com a sua própria personalidade. Isto é, é um filme muito, mas muito mais escuro, filme que quase desde do inicio – inicio este que dá a ideia de ser de uma cena do fim do filme – dá a ideia que por muito que se tente ser a tal família perfeita, algo de negativo se passa no meio deles, não tão negativo como no “Hereditário” mas mesmo assim, há algo que se intromete (ou alguém) no passado deles e que influencia a energia do casal.

Em termos desse mesmo casal, até ai o filme reinventou de certa forma, e pelo lado positivo. Fez “mais sentido” desta vez como aconteceram as coisas, embora, o sucedido talvez tenha sido a um ritmo mais hollywood do que se desejava. Ou seja, no meu ver, podiam ter dado mais algum tempo de antena ao desenvolvimento das personagens, ter criado mais empatia por elas, pois por muito que sentisse pena pelo sucedido, não foi tanto como talvez um “Um Lugar Silencioso”.

Left to right: John Lithgow as Jud and Jeté Laurence as Ellie in PET SEMATARY, from Paramount Pictures.

Talvez, tudo tenha sido um pouco acelerado, contudo, talvez não havia muita mais matéria para desenvolver antes do “sucedido” não sei, isto sou eu a deambular. Mesmo assim, o filme evolui em termos de montanha russa, começa quase em paz, para chegar a um pequeno inferno onde mesmo esperando por ele, é sempre bom quando ele chega.

As performances de modo geral foram boas, John Lithgow sempre excelente, com aquele rosto de avô querido, e uma menção honrosa para a pequena Jeté Laurence que segura o filme e faz um excelente papel (ainda estou para saber como fez aquele truque do olho direito). Em termos da Zelda, podemos dizer que não é a do original, é certo, não incomoda tanto, mas é desconfortante, embora, penso que foi revelada de forma básica, poderia ter sido de forma mais poderosa… Poderosa também podia ter sido a frase “Sometimes, dead is better” mas tal como vimos no trailer, foi dita “normalmente” o que me custou já que no original foi entregue de forma muito mais especial.

Em suma, ” Samitério de Animais” é daqueles remakes que veio para ajudar o primeiro e não para destruir, reinventou de forma geral e adicionou certos aspectos muito positivos, para não falar do ambiente muito mas muito mais escuro que o primeiro o que tornou tudo mais macabro. Houve certos aspectos desnecessários? Houve, mas são aspectos que podemos ignorar quase por completo pois o filme é uma excelente entrada no sub género do paranormal, sendo um filme que podemos abordar como original, e não remake, como fizemos como por exemplo o “Evil Dead”.

Filme do ano, não será, mas irá ensinar a muitos como se reinventa um remake e se insere uma personalidade própria e não se faz do mesmo uma cópia.

PS.: O final apanhou-me de surpresa, e fechou o mesmo de forma exemplar, como se fosse um licor após uma bela jantarada… soube bem e assenta o resto no estômago.

PS.1: Este gato é BEM mais desconfortante que o original… Bolas!!! ahahaha