“Nós” – Crítica

“Nós” – Crítica

21 Março, 2019 0 Por maisterror

Crítica de Marcos Martins

Sendo o segundo filme do “novato” realizador Jordan Peele, “Us” chega com uma altíssima expectativa dentro do nosso mundo do terror. A grande questão seria… Será que era realizador de um filme só ou veio para ficar? E no meu ver, veio para ficar… De certeza absoluta.

O filme começa super enigmático, aliás, poucas são as alturas que o espectador consegue “decifrar” por completo o trajecto do filme. Começamos basicamente numa cena mundana dos anos 80 em que realmente não faz sentido nenhum. Contudo, essa cena tal como todas as do filme, terão explicações mais à frente, mas sentimos-nos naquele momento prisioneiros do filme, como se o realizador estivesse a brincar connosco, em não mostrar/explicar o argumento.

Passando essa tal cena a frente, somos levados ao que vemos no trailer, ou seja, tudo o que vemos no trailer aparece praticamente antes da metade do filme, por isso, há MUITO mais e BEM melhor. Somos levados então a uma espécie de “Home Invasion” (invasão de casa) contudo, o filme é tão rico em pormenores e conteúdo que ultrapassa facilmente esse tipo de terror, para ser muito mais do que se esperava. É aqui que vemos o poderio da performance…

Lupita Nyong’o é um monstro do cinema, claro que todos os outros (não há um grande elenco) estão subliminares, mas ela LEVA o filme as costas. Quase que ficamos hipnotizados com tal performance. Nas tais situações da invasão de casa já se nota a qualidade da interpretação, a mesma que é levada até ao fim do filme onde fecha em grande estilo.

Após a invasão, o filme dá-nos talvez o primeiro twist, algo que não tínhamos visto no trailer e que talvez não segue nenhum filme do género, o único que talvez possa ter vaga comparação é o “Invitation” (2015) e mesmo assim, muito, mas muito vago.

Quando achamos que não há mais reviravoltas, chega aí a reviravolta final, onde se sobrepõe em cima da outra reviravolta, ou seja, estamos a ser jogados de um lado ao outro do quarto e já não sabemos o que pensar, houve situações no filme onde eu sentia-me membro da família e não sabia o que estava a acontecer…e estava a adorar…

O final é subliminar…. É algo digno de Twilight Zone, ou como se diz hoje em dia, é um momento WTF, ficando TODA a sala de cinema sem saber o que pensar.

Dito isto tudo, sem poder aprofundar o filme porque senão ia spoilar, este mesmo é um misto quase perfeito entre Terror, comédia, surrealismo e thriller, de alguém que AMA o terror, que sabe e viu filmes dos anos 80 de vários estilos de terror, onde vai usar vários modelos mas que depois baralha e faz algo super inovador…. Um filme com MUITO conteúdo social, uma sátira à sociedade mas principalmente ao ser humano, usando a comédia para retirar a defesa do espectador, tornando-o vulnerável para depois enfiar com o terror no coração e ficar a sangrar de uma bela forma…

É um filme, que 12 horas depois, ainda estou a tentar reflectir sobre ele, e talvez esta crítica não faça justiça ao filme, porque realmente é um filme com MUITAS camadas, onde pede para que o espectador seja inteligente e que queira retirar cada uma das camadas com muito gosto…

Atrevo a dizer, que talvez seja o filme do Ano no nosso género de terror… Até agora pelo menos, não consigo nomear outro acima deste e cheira-me que irá ser muito difícil….

Obrigado Jordan Peele, por este Hino ao nosso Género.