“IT Capítulo 2” – Crítica

“IT Capítulo 2” – Crítica

9 Setembro, 2019 0 Por maisterror

Autor: Marcos Martins

No Corredor da fama dos “Slashers”, onde Freddy Krueger, Michael Myers ou Jason Vorhees dominavam, houve sempre um, que embora referenciado, nunca foi catalogado como um dos grandes. E este era o Pennywise, o nosso palhaço favorito que após aterrorizar-nos na excelente obra de Stephen King, aterrorizou-nos na mini-série comandada pelo semi-perfeito desempenho de Tim Curry.

Dito isto, e após um primeiro capítulo que devastou todos os recordes de bilheteira no nosso género de terror, será que este segundo, e último, faz jus ao seu irmão mais velho e consequentemente livro? Vamos saber.

Dois Anos após o primeiro capítulo, “It: Capítulo 2″ inicia 27 anos depois, onde Pennywise ameaça voltar à famosa cidade de Derry. Tal como prometido anteriormente, o “Losers Club” volta à sua cidade para finalmente travar o inimigo em comum. Foi interessante saber como iriam retomar o primeiro filme, visto que o mesmo pôs uma “pausa” na acção. Dito isto, logo na primeira cena/introdução, o filme exibe uma actualização de ideias sócio-temporais. Não irei contar o que se sucede pois o peso desta mesma cena por si (pouco influencia o resto do filme) faz com que tenha que ser saboreado de forma ingénua sem saber o que se vai passar.

O fim da mesma, é digna de uma introdução de um “Pesadelo em Elm Street” (irei referenciar MUITO essa saga durante este artigo, preparem-se) pelo aspecto surreal e pelo desprevenido. Ou seja, de uma cena perfeitamente inocente, a uma escalada rápida, nua e crua, a um fim totalmente satisfatório que faz com que seja uma maneira natural e excelente de começar o filme.

Após esse acontecimento, o filme desenrola naturalmente com a tentativa de um dos “Losers” encontrar os outros para tentar travar o que virá para a cidade de Derry. Dito isto, devo afirmar que o casting não poderia ter sido melhor. Muitos vão debater sobre essa afirmação, confesso, mas penso que mesmo sem ter a química dos “putos”, o que seria praticamente impossível, a química que estes “cotas” têm é de elevado nível, havendo uma excelente diferenciação de personalidades entre eles, muito por culpa das introduções de cada um, bem mais naturais que as da mini-série, onde fomos forçados a aturar longas introduções com pouco desenrolar para a história de cada uma das personagens.

Todos “roubam” o espectáculo, ou seja, todos têm o seu tempo de antena para brilhar, para emitir empatia ao espectador. Não há nenhum que possamos dizer que, se morresse, era “menos um”. Obviamente que James McAvoy, nosso Professor Xavier favorito, é o eixo do grupo, mas tenho que realçar outros dois (além da bela Jessica Chastain ) que são Bill Hader e James Ransone. A química entre eles, chega ao nível da química das crianças. Nota-se que são adultos que no fundo mantém certas atitudes, medos, receios desde criança e que quando juntos, parece que voltam atrás. Belo trabalho dos mesmo e atrevo-me a dizer que se houvesse um novo American Psycho, James Ransone  seria talvez o sucessor perfeito ao excelente Christian Bale.

Não, não irei falar ainda do Bill Skarsgård, pois seria ofuscar o resto do elenco e penso que não merecem, pelo contrário. É claro que, novamente, não são as crianças do primeiro, confesso, mas a equipa que juntaram fez com que não tivéssemos tantas saudades como provavelmente poderíamos ter dos mesmos.

Quanto à acção em si, que é o que realmente importa, devo dizer que me surpreendeu.  Não só pelo facto de estar a usar muito fielmente o livro, mas pelo facto que nada pareceu igual. Ou seja, mesmo havendo um primeiro capítulo, e este segundo pegando em muito do primeiro, conseguiram inserir este em sítios do primeiro em que não tínhamos visto. Parecia que no puzzle que era o primeiro capítulo, o segundo foi as peças que faltavam, essas mesmas que fizeram com que o mesmo segundo capitulo pudesse avançar.

Os momentos dos “artefactos” foram o perfeito exemplo metendo o espectador finalmente na cadeira do receio pelo perigo das personagens. Finalmente, porque muito do filme é definitivamente digno de um filme de aventura. Talvez um “Goonies” adulto, com um ar e magia de uma obra do Stephen king, onde não vemos praticamente adultos (fora os Losers) na cidade. Já o livro nos transportava para esse mundo onde a redução de extras fazia com que o ênfase fosse todo para as personagens principais.

Acabando com o aspecto “aventureiro” do filme, por parte do nosso Pennywise, as coisas começam a ficar sérias com um Bill Skarsgård a roçar o perfeito. Um grande amigo meu, o qual fui com ele ao cinema, disse e com muita razão, o actor fez algo que provavelmente nem todos conseguem, que é no desenrolar de muito do filme, fazer com que toda a sua magia seja transposta apenas com o rosto. Ou seja, por vezes só se via o rosto do Pennywise, e assustar/intimidar apenas com esta parte do corpo, por vezes não é tão fácil assim. Por outro lado, e além do “assustar”, Bill Skarsgård consegue transpor um carisma quase, repito, quase, idêntico ao de Robert Englund no “Nightmare on Elm Street”. São diferentes? São, mas ao mesmo tempo são iguais, pois, são aqueles vilões que adoramos, os quais não podemos deixar de apoiar, porque realmente nos identificamos muito com os mesmos.

Houve uma cena, num jogo baseball, onde Pennywise faz das suas, e vemos um desempenho arrepiante do actor. Não se nota as surpreendentes duas horas e quarenta cinco minutos. Dei-me a ver as horas e roçava as duas horas e eu a pensar “Já?”, por isso, o ritmo do filme tal como a sua edição, faz com que não seja um filme secante, pelo contrário. No último terço do filme, e depois do mesmo deixar o aspecto de aventura, o nível de perigo torna-se bem maior, e realmente ficamos com receio sob a vida dos personagens. É curioso ver pequenas referências a filmes de terror, especialmente na cabana, anúncio da sala de cinema e na cena da casa de banho (não irei explicar obviamente) onde temos uma excelente referência a outro filme de uma obra do Stephen king (o qual esteve muito activo no decorrer do filme).

Foi um excelente final para um excelente filme. Um filme que faz-me recordar o que eu gostava dos meus ricos “Pesadelos em Elm Street”, onde o mundo real e surreal se confundem e aí sim, vem o verdadeiro medo. Saber onde é que a linha está e saber como ignorar este mesmo e voltar ao mundo real para que possamos sentir seguros novamente. Contudo, e tal como o filme explica, será que este mesmo mundo, dito real, é verdadeiramente seguro? É um filme com esta e muitas mais camadas para uma interpretação mais adulta, muito mais que o primeiro.  Percebo se alguém não gostar do filme… se não leu o livro. Percebo se acharem secante, principalmente na fase de recolha de personagens… se não leram o livro. Percebo se achaste que o alívio cómico, e o aspecto aventureiro do filme seja um anti-clima para o verdadeiro fã de terror… se não leste o livro. Por isso, não percebo como alguém não gostou do filme, pois, foi uma adaptação muito melhor do livro que o seu irmão mais velho de 1990. Uma coisa é filme pelo filme, outra coisa é saber que isto é sobre um livro, e o transpor de toda a magia do mesmo, e isso, o filme faz perfeitamente, fazendo com que Pennywise finalmente se torne o ícone dos “slashers” que merecia ter sido desde dos anos 90.