“Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro” – Crítica

“Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro” – Crítica

7 Agosto, 2019 0 Por maisterror

Autor: José Pedro Lopes

Guillermo Del Toro parece ter assinado de cruz esta divertida mas esquecível adaptação do livro infantil homónimo, que segue a moda das aventuras de adolescentes em contexto de terror que temos visto em “Stranger Thing” e “IT”.

Passado nos anos 60 numa pequena cidade da América Rural, “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” acompanha como um grupo de amigos entra na casa assombrada da cidade, onde vivera em tempos uma criança chamada Sarah Bellows. De pele branca e pensamentos inquietos, Sarah vivera fechada pela família numa divisão escondida da casa onde escrevia histórias assustadoras as quais causavam a morte na vida real aos seus protagonistas. Quando Stella e Ramón trazem consigo o velho livro do Sarah, tiram a maldição da casa assombrada e todos ficam em perigo.

A transição mainstream do norueguês André Ovredal – de “O Caçador de Trolls” e do muito interessante “A Autópsia de Jane Doe” – é competente mas surpreende pela pouco ambição artística. Aliás nem dele nem do produtor Del Toro se sente um tom autoral, “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” contenta-se com um posicionamento de filme feito a reboque do fenómeno “It”.

Em sua defesa, o filme consegue apresentar alguns contextos de terror muito bem conseguidos e assustadores, como o momento do Monstro do Polegar ou a Senhora Pálida, ilustrações bem familiares para quem conhece o livro original. No entanto, na recta final o filme parece perder energia quando se vê forçado a abandonar o sistema de “buffet” de monstros e tem de identificar um vilão principal e uma narrativa mais operática. Ficamos assim com um filme simpático, com alguns sustos, mas sem qualquer relevo num mercado já saturado de terror juvenil e consensual.