“Halloween” (1978) – Crítica por MSB

“Halloween” (1978) – Crítica por MSB

26 Outubro, 2018 0 Por maisterror

 

Realização: John Carpenter
Argumento: John Carpenter, Debra Hill
Elenco: Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Tony Moran, Nancy Kyes, P.J. Soles, Charles Cyphers, Kyle Richards, Brian Andrews
Duração: 93 min

Um jovem rapaz mata a sua irmã no Halloween de 1963 e é enviado para um hospital psiquiátrico. 15 anos depois, ele escapa e retorna à sua cidade natal, a fim de causar o caos.

Halloween (2018) é lançado esta semana e é uma sequela direta ao original de 1978, logo porque não voltar aos anos 70 e assistir a um dos seus clássicos?

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Apesar de toda a gente já conhecer a história de Michael Myers, vou manter esta crítica spoiler-free, pois podem conhecer a personagem, mas nunca terem realmente visto o filme. Um monte de remakes, sequelas e spin-offs foram produzidos, mas todos eles vão ser retconned (ajustados, ignorados ou contraditos) na sequela direta ao original que sai nos próximos dias. Honestamente, não me poderia sentir mais otimista…

Halloween é um clássico de horror que inspirou inúmeros slasher films (sub-género de horror, em que existe sempre um psicopata a perseguir e a tentar matar os seus alvos) e a sua história principal é relevante ainda nos dias de hoje. O guião de John Carpenter e Debra Hill inteligentemente explora o conceito de pura maldade e ingenuidade da juventude, incorporando o primeiro na personagem de Myers e o último em adolescentes estereotípicos, que apenas se drogam ou fazem sexo sem um mínimo de cuidado com os seus redores.

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Agora, tenho de deixar algo bem claro: este é um filme dos anos 70. Não podem assistir a um filme de horror com 40 anos de existência com a mentalidade de 2018 e com o conhecimento de como os filmes são atualmente. Se começarem a pensar em demasia e realmente analisarem este filme sem se importarem com o ano de lançamento, então muito provavelmente vão achar que este é um dos piores filmes de horror que alguma vez viram. Não é assustador, não tem sequências ricas ou mesmo personagens muito desenvolvidas… para um filme do século XXI.

Hoje em dia, usamos imenso a palavra “clichê”, especialmente em filmes de horror, onde jump scares previsíveis e personagens que tomam constantemente decisões estúpidas são tradição. Quando Halloween saiu, não se podia caraterizar as suas personagens de clichê, visto que estas ainda não tinham sido representadas em centenas de filmes. Este foi um dos primeiros êxitos usando estes tipo de personagens. Então, o que fez deste filme tão incrivelmente famoso e proeminente? Para além da sua história, a realização artística e o score viciante.

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John Carpenter tanto realizou o filme como compôs a música para o mesmo, algo extremamente raro. Acabei de rever este clássico e a sua soundtrack não vai deixar o meu cérebro por algum tempo. Alterna perfeitamente os tons do filme, aumentando o suspense durante as cenas mais tensas. Sempre que uma certa parte da música começa a tocar, a audiência sabe que Myers está por perto, criando build-ups brilhantes para dezenas de momentos fantásticos.

A sua realização é imaculada. A forma como ele utiliza o fundo de uma cena, alterando o foco num close-up ou num wide shot, é absolutamente incrível. O trabalho de câmera é excelentemente aplicado e ajuda a acompanhar a perspetiva da personagem, oferecendo um melhor entendimento do que a sua visão lhe mostra, escondendo potenciais sustos e elevando novamente o suspense.

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A história oferece tantas caraterísticas notáveis que se tornaram intemporais e, eventualmente, transformaram-se em clichês nos filmes de hoje devido ao seu uso excessivo. Desde o “vilão”, que é literalmente louco e que quer matar pessoas na noite de Halloween, aos adolescentes ignorantes e ingénuos, que não se importam com uma coisa no mundo e tomam sempre as decisões mais ridículas, este filme de Carpenter é um dos filmes de horror mais influentes da história do cinema.

Além disso, foi tudo produzido com um orçamento muito baixo: 300 000$! Esse valor já era considerado baixo na altura e, mesmo assim, acabou por se tornar num dos filmes com mais lucro de Hollywood até hoje. Compraram a máscara de Myers por um dólar! Quando eu olho para um filme tão brilhantemente realizado e tecnicamente perfeito como este, e ainda descubro que foi tudo feito com esta quantia de dinheiro, é impossível não ficar totalmente espantado.

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No entanto, não é um filme perfeito. Há muitos momentos cringe-worthy do elenco durante todo o filme. Nancy Keys é extremamente irritante como Annie e P.J. Soles é simplesmente terrível como Lynda. Estas duas são difíceis de se ver e ouvir, mesmo com a mentalidade dos anos 70. Jamie Lee Curtis (Laurie Strode) é okay, mas como os guiões das personagens são tão mal trabalhados, o dela oferece alguns gritos over-the-top bem dolorosos. O único que realmente tem uma excelente prestação é Donald Pleasence como Dr. Loomis. Ele tem as melhores falas de todo o filme e felizmente, faz bom uso delas.

Na realidade, não tenho muitos mais falhas a apontar, mas acho que o filme perdeu um pouco da sua essência ao longo dos anos. Os seus atributos técnicos envelheceram bem, mas o seu grau assustador não, e se não conseguirem apreciar o resto com a mentalidade certa, então não terão um serão muito divertido. No entanto, se levarem tudo em conta e se mudarem a vossa mentalidade milenar para os anos 70, estarão prontos para uma boa experiência em casa.

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Halloween (1978) tornou-se um dos filmes de horror mais influentes de sempre e é um clássico do género, reconhecido e aclamado por todos os fãs de cinema. Desde a realização inovadora de John Carpenter à sua própria composição memorável, todos os aspectos técnicos deste filme são de deixar a boca aberta e envelheceram surpreendentemente bem. Com uma história que literalmente inspiraria centenas de outros filmes, é um serão divertido e cheio de suspense que devem aproveitar com os vossos amigos e familiares. Certifiquem-se apenas de mudar a vossa mentalidade para os anos 70 e ignorar algumas das suas tolices. Afinal, é dia de Halloween!

Podes ler todas as críticas do nosso colaborador MSB no seu blogue: msbreviewsblog.wordpress.com.