“Godzilla II – O Rei dos Monstros” – Crítica

“Godzilla II – O Rei dos Monstros” – Crítica

4 Junho, 2019 0 Por maisterror

Crítica de Marcos Martins

Recentemente, tenho ouvido cada vez mais, nas plataformas sociais ou até mesmo ao vivo, que se alguém não percebe um filme automaticamente diz que é mau. Isto, pessoalmente faz-me muita comichão para não dizer que me traz um bocado de indignação pois a capacidade de julgamento das pessoas sob os filmes está cada vez mais… estranha.

Dito isto, surgiu o novo Godzilla, ou como dizem na sua terra natal, “Gojira” em mais uma “aventura” de dimensões épicas. Será que é um filme para se entender? Ou poderá ser bom, mesmo sem lógica? Vamos a ver.

Iniciando no fim do último filme, “Godzilla 2” toma parte uns anos após o primeiro, seguindo a vida do elenco original, numa ressaca pós-godzilla, o qual não é avistado desde daí. Sejamos claros, e antes de continuar com a crítica ao filme, este mesmo não é um filme para ganhar Oscar, ponto. O único Oscar que poderia ganhar seria por ventura o de melhores efeitos visuais e/ou edição de som.

Mesmo assim tenho que afirmar que é um bom filme. Porquê? Porque segue basicamente o que é um filme do Godzilla, um filme que desligamos a mente por duas horas e pouco, sentamos confortavelmente na sala de cinema e preparamos para uma viagem de imagem e de som (bem audível por vezes) que nos enche a alma. A história é fraca, muito fraca por vezes confesso. Dá a sensação que não tinham muito por onde trabalhar para tentar juntar os titãs num orgia monstruosa, por isso fizeram uma pseudo-crítica social/ambiental para que também ficasse bonito na fotografia.

Os motivos do “inimigo” são ainda piores, além das mudanças de acções especialmente de uma das personagens aonde de um momento para o outro muda de bom samaritano, para má da fita e novamente boazinha sem haver uma carga emocional suficiente para haver essa mesma mudança. As personagens são ocas, sem conteúdo, sem gema, num diálogo fraco e por vezes sem lógica. A única, a salientar no meio de alguns bons e veteranos actores é a jovem Millie Bobby Brown, a “Eleven” da “Stranger Things” que realmente está cada vez mais sólida no seu caminho para o estrelato. Infelizmente não desenvolveram o excelente Charles Dance que perde-se no filme.

Dito isto, vem os aspectos positivos do filme, a acção. Nua e crua, numa chapada aos sentidos de uma pessoa. Por vezes até demais ficando a mesma confusa com tudo o que se passa, contudo, e talvez pelo facto de estar a ser filmado de baixo para cima, há quase sempre o sentimento de impotência, ao estar sujeito a toda aquela acção entre titãs, e nós a rezar que nenhum caia em cima. Os titãs tremendamente bem feitos especialmente o inimigo principal de Godzilla, lembrando um bocado um outro de uma série que acabou recentemente. Foi uma enorme alegria ver vários dos grandes titãs que fomos brindados todos estes anos e que agora, com a actualização das tecnologias e efeitos, voltaram ao grande ecrã num grande estilo. A edição sonora está sublime.

Eu que tive quase duas dezenas de anos no panorama musical devo dizer que este mesmo tratamento acústico que o filme levou o filme, faz com que sentimos literalmente lá no meio da acção e, por ventura com aquele “medo” seguro, de estar e não estar ao mesmo tempo no ambiente que o filme nos proporciona. Sendo assim, e por muito que haja defeitos cronológicos, temporais, de desempenho e argumento, o filme é salvo pelo que realmente importa, a acção. Pura sem filtros, ao velho estilo dos primeiros filmes do mesmo. Tentaram ainda juntar um pouco de comédia um bocado ao estilo da Marvel, mas sem resultado, mas que foi facilmente ignorado pela excelente acção (por vezes confusa) proveniente dos titãs. É daqueles filmes que resulta muito bem na sala de cinema, com aquelas colunas potentes a entrarem no vosso tímpano. Daqueles filmes que quanto maior for a tela, melhor será a experiência. Daqueles filmes que é literalmente a perfeita designação de filme de pipoca porque até mesmo essa dádiva do milho, resulta melhor com o Godzilla.

Em suma, há filmes que não dão espaço para entender os mesmos, e nem se precisa. Não há necessidade de querer entender um filme para dizer se é bom ou não, e assim, podemos dizer que sem ou com argumento, íamos gostar do Godzilla porque no fim do dia, o que importa é nos divertir-nos.