“A Maldição da Mulher que Chora” – Crítica

“A Maldição da Mulher que Chora” – Crítica

22 Abril, 2019 0 Por maisterror

Crítica de Marcos Martins

No mesmo universo de “The Conjuring” , “A Maldição da Mulher que Chora” é a mais recente adição ao “universo” no mesmo modo que a Marvel e DC fazem noutro género cinematográfico. A grande questão é, será que veio adicionar algo a esse mesmo mundo ou irá deixar os fãs a chorarem… no mau sentido?

Ontem, pouco tempo depois de ter visto o filme, um amigo meu – Ao comentarmos sobre este filme – disse que eu era um tipo difícil de aturar em termos de gostos de terror… Na verdade é que analisando bem, sou, e cada vez mais. Talvez por já ter visto demasiado terror ao longo dos anos, talvez por gostar muito do subgénero em questão (paranormal), mas ao longo dos anos notei que a minha exigência é cada vez maior, e acho que chegou ao cúmulo com este filme.

Como referido anteriormente, “A Maldição da Mulher que Chora” insere-se no mundo de “The Conjuring” pelo menos em termos de publicidade e, algumas situações mínimas durante o filme, situações essas que se não estivesse lá, não iriam contribuir para o mesmo universo. O filme inicia-se ao bom estilo do “Annabelle Creation” com uma introdução saudosista / trágica onde “explica” a razão da mulher e dá mote para o que vem posteriormente.

Alguns anos depois, embora, sem explicação do surgimento da mesma, a Mulher Chorona volta a aterrorizar nos tempos mais “modernos” de 1973. Ano esse que nunca foi realmente sentido, em termos de espaço e atmosfera. Penso que em “The Conjuring 2”, por exemplo, a película em si, o seu “grão” e até o próprio guarda roupa foi mais temático levando o espectador a estar mais inserido no filme. Aqui, não houve muitas referências à década em si.

Em termos de ritmo do filme, penso que não tenha sido dos piores, dentro deste universo, mas mesmo assim, é um filme que tem alguns problemas de ritmo de filme / sequência, nunca se entra realmente no “Combóio” do filme pois o mesmo faz paragens estranhas que não se justificam. Muito da culpa dessas “paragens” é sobretudo da edição por vezes fraca. Lembro-me de uma sequência de 5 segundos de apenas uma fala que não veio adicionar nada ao filme e que foi inserida forçadamente e que não ajudou nada a sequência, pelo contrário, faz com que o espectador se desprenda da falta da fluidez do filme.

Em termos de performance dos actores, QB, quanto baste, não houve ninguém a salientar, nem mesmo a Linda Edna Cardellini, que fez o mínimos para que isto funcionasse, de resto, das crianças mais fracas que eu vi recentemente nos últimos filmes de terror que saíram estes últimos anos. O curandeiro, apático, não transmitiu nada ao espectador nem o facto de ser curandeiro. A mulher em si por muito que me doa dizer, não assusta em quase todas as situações. Devo salientar, porém, a cena da banheira onde está muito bem trabalhada e mostrou algo que o filme necessitava: carisma. A mulher chorona precisava de ser carismática, e para isso necessitava de menos efeitos especiais e mais sentimento físico, ou seja, como havia nos anos 80, mais presença durante o filme, até mesmo sendo algo paranormal, mas tal como o Freddy Krueger era, mesmo assim teve sempre presença e ai, mais carisma e consequentemente poderia ter assustado mais.

Como ficou, o seu resultado final, foi algo em conjugação entre “The Nun” e “Mama”, ou seja, pouca presença e identificação com muitos efeitos visuais que apesar de serem “deslumbrantes” não adicionam nada à mulher em si. Sou sincero, e daí eu ser um tipo difícil de aturar, resultaria BEM mais se fosse uma curta metragem, ou até mesmo um episódio dos “The X-Files” ou “Supernatural”, pois não havia muito argumento e eles tentaram esticar o máximo para que fosse uma longa metragem, mas infelizmente não resultou como todos nós queríamos que resultasse.

É pena mas devo dizer que é um filme pipoca, filme para aquele que não vê muitos filmes de terror, e quer algo leve e que, infelizmente, não assuste ou que não incomode o nosso interior. Para esses “novatos” pode até resultar um pouco, juntamente com o parceiro, ou amigos, para os tais que são adeptos de longa data de terror, se o virem, vejam em casa, porque não vale a pena gastar para ir ver na tela gigante.